Em 10 anos, obesidade cresceu 60%
São várias as consequências da obesidade, como os problemas de lombalgia, as enfermidades nos joelhos e até mesmo a questão da segurança. Atualmente, nos EUA, as seguradoras de automóveis estão considerando o IMC (Índice de Massa Corpórea) dos segurados, pois o número de acidentes de trânsito que resultam em ferimentos com obesos é maior do que entre a população em geral. O motivo? Eles não têm o hábito de utilizar o cinto de segurança.
Além disso, é essencial levar em consideração as questões ligadas ao estilo de vida e nível socioeconômico. Os alimentos dietéticos, orgânicos e naturais muitas vezes possuem preço maior do que os alimentos tradicionais. Mas se as pessoas não tiverem acesso a uma alimentação saudável e não tiverem um programa de exercícios regulares, vão continuar sofrendo com o mal da obesidade.
Os números da pesquisa Vigitel 2016, recém-divulgada, alertam: mais da metade da população brasileira está com peso acima do recomendado. Em Porto Alegre, a prevalência da obesidade é maior do que a média nacional e alcança 19,9% das pessoas.
Outras questões são o acesso a informações e orientação e o encaminhamento do paciente. É necessário que a pessoa entenda, por exemplo, que a cirurgia bariátrica é apenas uma saída para combater a obesidade, pois o motivo desse estado não está no indivíduo, mas, na maioria das vezes, está ligado aos hábitos do ambiente que ele vive. Além do sentido estético, há o sentido clínico, que são lombalgia, artrose nos joelhos, varizes, apneia do sono, diabetes, hipertensão, dislipidemia, com o consequente impacto na mortalidade geral. Em termos de efeitos da obesidade com danos mecânicos, aqueles com excesso de peso têm 40% mais chance de procurar um médico, 38% de ter dor contínua e 35% de faltar no trabalho por lombalgia.

“É claro que precisamos considerar as tendências genéticas de cada indivíduo e as questões hereditárias, mas a presença da obesidade funciona como um complicador, que agrava essa predisposição”, explica o cardiologista André Luis Camara Galvão, também diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (Socergs).
Entre os homens e as mulheres, no Brasil, são eles que registram os maiores percentuais. O índice de excesso de peso na população masculina chega a 56,5% contra 49,1% entre elas, embora não exista uma diferença significativa entre os dois sexos quando o assunto é obesidade. Em relação à idade, os jovens (18 a 24 anos) são os que registram as melhores taxas, com 38% pesando acima do ideal, enquanto as pessoas de 45 a 64 anos ultrapassam 61%.
Percentual de homens e mulheres (≥ 19 anos) beneficiários de planos de saúde, com obesidade (IMC ≥ 30 kg/m2):

Fonte: Vigitel (Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico), 2014
Diante do avanço considerável do sobrepeso e da obesidade, o Ministério da Saúde (MS) vem desenvolvendo diversas ações e estratégias visando o enfrentamento do cenário epidemiológico que se configura no Brasil. O aumento da população com agravos não transmissíveis ressalta a necessidade dos serviços de saúde organizarem o cuidado em rede, configurando as Redes de Atenção à Saúde (RAS).
No contexto da organização dos serviços e ações de saúde para o indivíduo portador de sobrepeso e obesidade, o MS publicou a Portaria nº 424/GM/MS, de 19 de março de 2013, que redefine as diretrizes da organização da prevenção e do tratamento do sobrepeso e da obesidade como linha de cuidado prioritária da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do SUS.
Em suma, a “indústria” da saúde precisa adaptar-se às novas necessidades desta população, assim como crescem as oportunidades de negócios em várias frentes de serviços e produtos personalizados a este público.